Quem são os boiadeiros na Umbanda

 


Ação, essa é a palavra-chave que define esses Guias da Umbanda. Os Boiadeiros podem parecer um pouco carrancudos, pois são de poucas palavras, mas na verdade possuem um grande coração capaz de auxiliarem a todos com muita simplicidade, fé e principalmente: o amor à vida.

Eles já participaram do mesmo plano que nós, tiveram os seus objetivos de vida carnal cumprido e decidiram se tornar Guias Espirituais da Umbanda após desencarnarem.

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Todas as suas comunicações, – inclusive os pontos cantados – remetem-se a vida no campo, a força de vontade, ao amanhecer e ao despertar de atitudes e garra de um boiadeiro, vaqueiro ou pastoreiro. Portanto, possuem desde sempre uma ligação respeitosa com a natureza e com o seu ciclo harmônico e é por isso que são orientadores tão especiais em todas as giras de Umbanda que participam.

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São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda. Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta.

Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins.

Dentre todos os guias de Umbanda, são eles que seguem a relação com a Orixá Oyá Tempo – Logunan, que juntamente com Oxalá regem o Trono da Fé. São muito hábeis para lidarem com adversidades, pois quando vivos eram exímios conhecedores dos campos, do tempo (clima) e do temperamento instintivo dos animais.

Apesar de serem espíritos, carregam nas suas memórias as lembranças da pureza dos sentimentos, onde todos eles se mostravam de maneira simples e avassaladora. São pessoas com grandes amores, devotas à terra e a tudo que eles conseguem explorar de bom dela. E é com essa fervura de energia que eles

surgiram para auxiliar sem medo quem os procuram, combatem as vibrações ruins com maestria e saem à defesa daqueles que reconhecem os erros e pedem por auxílio, são muito bravos e destemidos e trarão para o indivíduo uma forte carga de vigor, com a qual ele se sentirá renovado para prosseguir com fé o seu caminho.

Quando sustentados por Ogum, esses bravos guerreiros são como guardas que utilizarão toda sua energia para defender o que pertence à Lei Maior, trazendo paz e harmonia. Já na Linha da Mãe Oyá Tempo, eles libertam os consulentes de espíritos negativos e até mesmo de obsessores.

Sendo assim, seus trabalhos não limitam-se só aos que estão vivos, os desencarnados também recebem seus auxílios. Chamam as pessoas que saíram do caminho certo de “boi”, e suas missões são todas voltadas a resgatar aqueles que fogem do caminho da verdadeira felicidade. Portanto, todos que se rebelam contra a Lei Divina, possuem uma chance por meio da força dos Boiadeiros para retornarem à estrada de paz.

Uma curiosidade, é que em um determinado ponto da Linha dos Boiadeiros, começam a se manifestarem os Cangaceiros, – também presentes nos Guias Baianos – embora visto como marginalizados, esses homens lutaram contra tiranos que exploravam os povos sofridos do Nordeste, mesmo que tenham agido de maneira errada enquanto vivos, suas intenções eram todas fundamentadas no sonho de igualdade, proteção e justiça e como Guias de Umbanda, eles cumprem esse papel de maneira correta e dentro da Lei.

As características do Boiadeiro – Umbanda

Boiadeiro na Umbanda possui o estereótipo do homem sertanejo, de vida simples e que age instintivamente de forma que consiga compreender melhor o meio em que habita. Ele pode ser descendente de brancos, negros e índios, – um verdadeiro mestiço – queimado do sol, pois passou a vida nos campos. A grande maioria foi vaqueiro, boiadeiro, tocador de viola ou laçador.

Possui um linguajar modesto, características sisudas e é de pouquíssimas palavras, mas o seu coração o guia bravamente contra tudo que impede a corrente do bem.

Com um linguajar singular, ele expressa em adjetivos uma classificação para tudo que requer sua consideração como por exemplo:

Boi = espírito no caminho errado;

Cavalos = filhos valorosos;

Laço = é o instrumento do Tempo (Logunan);

Boiada = vários espíritos resgatados e por eles conduzidos;

Laçar = levar os espíritos à força para dentro da Lei Divina.

Ele anda sempre com seu laço ou o chicote, onde na gira de Boiadeiro na Umbanda, quando o utiliza cria ondas no Tempo, com as quais ele recolherá todos os espíritos perdidos nas energias negativas. Outro adereço muito comum é o chapéu de boiadeiro e colares feitos de pedras ou sementes.

Desta forma, nunca espere muitas palavras reconfortantes na Umbanda do Boiadeiro, pois ele agirá muito mais do que reconfortará ou expressará verbalmente. Mas tenha certeza que todo o amor pelo que faz será transmitido em seus gestos.

Nomes comuns de Boiadeiros na Umbanda

Zé Mineiro, Boiadeiro da Jurema, João Boiadeiro, Zé do Laço, Boiadeiro do Rio, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro de Chapéu de Couro, Boiadeiro do Chapadão, Carreiro, Boiadeiro da Serra da Estrela, entre outros.

Oferendas aos Boiadeiros

IMPORTANTE: toda oferenda deve ser orientada por alguém responsável do Candomblé ou Umbanda, cada Orixá ou Guias possuem suas peculiaridades que devem ser respeitadas e guiadas por quem os conhecem após anos de prática na religião.

Os Boiadeiros recebem as oferendas em pedreiras, espaços abertos e campinas. Os alimentos mais comuns e de maior agrado desses Guias são frutas como: abacaxi, laranja, uva, limão e carambola. As bebidas são: vinho tinto e branco, suco de frutas cítricas e até mesmo a pinga. Os pratos preferidos: arroz com lentilhas e carne seca desfiada, caldo de mocotó, arroz e feijão tropeiro, arroz carreteiro e costela de boi.

Dia dos Boiadeiros

O seu dia da semana é a terça-feira.

Cores dos Boiadeiros

Amarelo e azul escuro, algumas vezes também pode-se observar o uso de roxo e marrom.

Saudação aos Boiadeiros

Jetuá, Boaideiro "Getruá Boiadeiro", "Xetro Marrumbaxêtro", "Xetruê" ou "Xetruá".! Que significa: Salve aquele que possui braço forte, Boiadeiro!

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As mãos tremem, a energia percorre todo o corpo, ela é forte, é intensa. Assim apresentam-se os boiadeiros no terreiro, destemidos e valorosos, sempre prontos para

orientarem aqueles que encontram-se perdidos e fora do caminho de Luz. Eles conhecem através do amor a Lei Divina, e são incensáveis quando o assunto é perseguir o verdadeiro caminho do Pai.

 Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, "o caboclo sertanejo". São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai.

 Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé. Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral.

 Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa.

 É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações.

Sofreram preconceitos, como os "sem raça", sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas.

Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.

O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro - habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens.

Enquanto os "caboclos índios" são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores.

Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).

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