Quem é a Pombo Gira Maria Quitéria?
- A Pombo Gira Maria Quitéria é uma das mais conhecidas na Umbanda. Com um
jeito peculiar, guerreira, forte, ela chama atenção por onde passa deixando
sempre saudades quando parte.
Maria Quitéria atua na mesma legião da Pombo Gira Maria Padilha, e é normal uma
médium bem preparada em seu desenvolvimento mediúnico, que tenha dona Maria
Padilha na coroa e ter também a bela senhora Maria Quitéria.
Dona Maria Quitéria, é uma entidade muito forte, e sendo assim ela comanda uma
enorme falange de mulheres, entre tantas se destaca Maria Navalha, que é sua
subordinada direta. Maria Quitéria em
terreiros bem firmes, sem mistificação e com médium preparado é acompanhada por
sete Exus, Exus esses que formam uma legião de trabalho e proteção onde Dona
Maria Quitéria for e estiver.
- Essa vela entidade se apresenta sempre sem rodeios quando bem incorporada,
porém se notar que seu médium não esteja tão preparado, ela simplesmente se
vai, por não aceitar que seu trabalho seja prejudicado.
História de Maria Quitéria
- A história dessa Pombo Gira maravilhosa teve inicio na cidade de Lisboa em
Portugal, em meados do século 19, quando nascia uma bela menina de olhos negros
e penetrantes na casa de uma família economicamente abastada.
Seu nascimento fora uma festa para a família, pois sua mãe, uma jovem
portuguesa, após alguns anos de matrimônio com um militar brasileiro, não
conseguia realizar se um grande sonho, que era de ter um filho de seu amado.
Após as esperanças se findarem, veio a grande surpresa, uma gravidez, gravidez
essa que foi a grande felicidade de todos.
E então chegou o tão esperado dia, o nascimento de uma criança que já era tão
amada e guardada.
O primeiro choro emocionou a todos, a jovem portuguesa, em lagrimas abraça o
esposo e mostra a bela menina de pele não muito clara. Uma pequena princesa,
que teve como nome a Tradicional Maria, para seguir a tradição familiar e o
composto de Quitéria, pois a mãe da menina era muito devota e extremamente
agradecida a Santa Quitéria.
Sete anos se passaram, a menina Maria Quitéria era muito esperta e falante, e
assim criava muitas amizades com todos da região. Nessa época o Rei de Portugal
estipulou uma lei na qual eram tomada a coroa e terras que mesmo produtivas
viraram propriedades do poder, deixando os trabalhadores rurais sem ter onde
morar e o que comer, E assim foi nascendo grandes revoluções e invasões em
torno da região.
Em uma dessas invasões alguns malfeitores se entraram em meio dos trabalhadores
rurais, e assim aproveitando a confusão, assaltavam as casas das pessoas que
residiam na cidade, e faziam isso com extrema covardia, chegando a assassinar
moradores inocentes.
E uma dessas casas foi a da pequena Maria Quitéria, que ao ver a invasão na
casa de seus pais ficou desesperada, pois os assassinos já tinham alcançado os
mesmos. Uma serviçal da residência ao notar o acontecido pegou a menina pela
mão e saiu escondida pela parte de trás da casa, indo se esconder por entre as
arvores que ficavam em um pomar.
Ficaram ali por horas escondidas, enquanto dentro da residência os malfeitores
roubavam tudo, agrediam os pais de Maria Quitéria e os serviçais. Diante de uma
fúria incontrolável esses larápios atacaram a todos que ali estavam com punhais
pontiagudos, assassinando a todos e sem o menor arrependimento, os sanguinários
atearam fogo por toda a casa queimando os corpos, até mesmo os que ainda não
tinham desencarnado, sobre os olhos mareados de lágrimas da pequena Maria
Quitéria que observava tudo.
Os assassinos saíram apressadamente e sem olhar para trás deixaram aquela
grande dor no coração da menina.
Sem ter aonde ir, a serviçal levou a menina a um acampamento de Ciganos,
implorando ajuda e explicando o que havia acontecido. Pedia ela que os Ciganos
tomassem conta da pequena criança, pois não tinha condições de ficar com a
menina.
O Povo Cigano tinha na alma a caridade extrema, e acolheram a menina como se
fosse uma deles. E ali ficou dez anos, viajando de cidade a cidade em Portugal
como uma verdadeira nômade, até que por questões do Rei, começaram perseguições
implacáveis sobre os Povos Ciganos, fazendo assim com que o grupo no qual se
encontrava Maria Quitéria, partisse para o Brasil.
E foi assim que Maria Quitéria veio para o Brasil, já uma jovem, linda,
guerreira, sabendo as magias ciganas, caridosa e extremamente fortes.
O tempo foi se passando e decida de em cidade, agora no Brasil. Maria foi tendo
novas experiências, até que um belo dia o chefe do Clã Cigano na qual ela fazia
parte decidiu retornar a Portugal, porém a jovem estava decidida a ficar, e
assim houve a despedida dela daquele tão generoso Povo Cigano que a acolheu com
tanto carinho e dedicação.
Ela então se tornou uma nômade solitária, como uma andarilha buscava lugares
para pernoitar, e assim foi conhecendo muitas pessoas e tendo novas experiências.
Entre essas pessoas ela passou por meio de grandes fazendeiros, de prostituas,
de malandros, pessoas do bem e do mal, e a todas, ela buscava demonstrar
palavras de auxilio, de luz, de caridade. Auxiliou diversas pessoas com o que
aprendera com os Ciganos, trouxe paz aos desesperados, comida aos famintos,
água aos sedentos, luz aos que se encontravam na escuridão.
Por viver nas ruas ela aprender a se defender e defender seus semelhantes, e
tinha nessa colocação a sua dádiva de vida.
E em um fato assim Maria Quitéria teve seu desencarne já com seus trinta anos,
pois em uma das suas andanças pelas noites e sem destino, encontrou uma jovem
prostitua desesperada a correr e chorando muito, vendo esse fato logo se pôs a
tentar ajuda-la.
A jovem esclarece que está sendo perseguida por covardes homens na qual ela não
aceitou ceder a proposta que lhe fizeram, e com a negativa eles decidiram mata-la.
E nesse momento chefa a frente delas um homem forte e com olhar covarde
gritando que ela deveria o acompanhar, e a jovem em negativa se esconde atrás
de Maria Quitéria, que toma a frente da situação, tirando de sua saia um punhal
afiado. O homem avançava sobre as duas e nesse momento Maria Quitéria o ataca
acertando o punhal na barriga, fazendo um grande e profundo corte. Ele cai, e
as duas correm pela escuridão.
Nesse momento chega até o homem os outros que também estavam perseguindo a
jovem prostituta, e ao vê-lo ao chão ferido e desacordado, ficam sem entender o
acontecido. Acreditando que o homem ferido estava morto, um dos perseguidores
se joga de joelhos ao chão e em um grito de desespero e dor grita a frase: “Meu
irmão, quem fez isso com você?”.
Nesse momento Maria Quitéria vê o desespero do rapaz e diz a jovem para fugir,
pois ela iria retornar para auxiliar o ferido e assim acalmar o coração de seu
irmão. E assim foi feito, ela retornou e chegando junto ao homem ferido e seu
irmão, ela diz:
“Meu rapaz, tome esse frasco com essa
poção Cigana, dê um bom gole a boca de seu irmão e depois jogue o restante no
ferimento”.
- O rapaz seguindo as orientações da mulher, fez o que deveria fazer, enquanto
ela sumia na escuridão, sem ser notada, pois todos estavam apático ao verem a
reação do homem, e da ferida que fechava e cicatrizava na frente dos olhos de
todos.
E assim se passaram sete dias, o homem que antes ferido já andava normalmente
pelas vielas da cidade e andava não a esmo, pois em seus olhos brilhavam o
sentimento de vingança.
Em certo ponto de uma viela escura, ele vê Maria Quitéria dormindo ao relento,
e se aproximando como uma serpente decide se vingar estocando um punhal no
coração da mulher que dormia indefesa.
E assim Maria Quitéria desencarna, e em seu redor e diante dos olhos assustados
do assassino, espíritos obsessores tentavam levar o espírito de Quitéria para a
escuridão, pois viam nela uma grande força. Porém diante desse fato foram
surgindo espíritos de luz, uma legião de sete Exus, que vieram resgatar Maria e
levarem ela para o lugar das divindades de luz, para que pudesse, com a benção
de Oxalá se tornar uma entidade de Luz lutadora em prol da caridade e guerreira
contra a escuridão da maldade.
Os Exus pegaram Maria Quitéria pela mão, dando-lhe o caminho a seguir, e ela
sorridente se foi armando um lindo caminho de luz brilhante.
Sem quase acreditar o assassino se põe de joelhos, sem perceber que os
espíritos sem luz que antes tentavam desviar o caminho do espírito de Maria
Quitéria, colocavam-se em volta dele, sugando suas energias, até o ponto de seu
desencarne, e assim o levaram para o reino da escuridão, como mais um escravo.
Hoje, Maria Quitéria trabalha nos terreiros de Umbanda, sua linha é a das
Pombo-Giras e ela tem um jeito muito peculiar de falar, parecendo um tanto
radical e bastante brava, assim como demonstrava nas ruas e vielas que vivia,
não como demonstração de prepotência, mas sim pela sobrevivência.
Laroyê Dona Maria Quitéria!
Salve suas forças!
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Que a história de Maria Quitéria seja a fonte de energia, força, luz para sua
vida, sua caminhada. Que Maria Quitéria seja o caminho da paz, do amor, da
fartura e caminhos abertos na sua vida.
Axé pra quem é de Axé
Saravá a todos.
Veja também:
- História
de Exu Caveira do Ódio ao Trono
- Maria
Padilha – A feiticeira das Pombo-Giras
- Oração
a Ogum
- Blog de Cantigas
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3 Comentários
Que linda história de Dona Maria Quitéria 🌹
ResponderExcluirLinda mesmo!
ExcluirLaroye Dona Quitéria
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